17 Junho 2006

1. Ilustrações de Arquitetura

Como arquiteto e amante do desenho à mão-livre, acabei me especializando em ilustrações artísticas. Por isso, essa coluna será baseada, principalmente, nesse caminho, embora, como poderão observar, o uso do computador está presente em praticamente todas as etapas do processo de execução.

O desenho é a linguagem usada pelos arquitetos, decoradores e paisagistas, para comunicarem suas idéias aos clientes e potenciais clientes. Em um sentido amplo, o desenho de arquitetura pode ser uma planta baixa, uma fachada, um corte ou uma perspectiva. São formas de convenção estabelecidas para representar graficamente um projeto. A maneira como estes desenhos são executados e apresentados, diferencia e qualifica os profissionais da área. É aí que entra o trabalho do ilustrador.

O mercado competitivo exige que o profissional busque cada vez mais qualidade em seus serviços, diferenciando-o dos concorrentes. Portanto, é imprescindível saber vender ou valorizar todo aquele pensamento e toda a experiência que está por trás de um projeto, porque nem todas as pessoas exergam isso com clareza e acabam desmerecendo o trabalho do profissional. Com a correria para cumprir prazos, muitos profissionais da área não têm tempo para incrementar suas apresentações. Por isso, acabam buscando, em outras pessoas ou escritórios especializados, a mão (ou os olhos) que não têm disponíveis.

Fato é, que todos precisam mostrar “o algo mais”. Todos precisam extrapolar o esperado. E uma das maneiras de se fazer isso (além de fazer um bom projeto, é claro) é valorizar os desenhos; “humanizá-los”, colocando pessoas, móveis, carros, vegetação, e embelezá-los com sombras, texturas e cores. É preciso ter elementos que forneçam noções de profundidade e escala – tudo para facilitar a leitura do leigo. A arquitetura pode ser minimalista, o desenho não.

Os tipos de ilustração
São muitas as possibilidades de criações que podem ser feitas com base em um projeto de arquitetura, tendo em vista a apresentação do trabalho ao cliente. Mas, podemos dividir as ilustrações de arquitetura, ou valorização gráfica de projetos, em:


Humanização de implantações e plantas baixas
Adicionando elementos complementares ao projeto, como móveis, plantas e carros, por exemplo, consegue-se dar uma noção real de escala nas plantas, que são desenhos particularmente de difícil compreensão por parte do leigo. As sombras são utilizadas para dar volume às paredes e para enfatizar a luz natural. Textura no piso também é fundamental;


Humanização de Fachadas e Cortes
Aqui utiliza-se os mesmos procedimentos da ilustração anterior, mas com a possibilidade de colocar um fundo ou entorno (inclusive céu). Os revestimentos de paredes devem ser convenientemente explorados;


Croquis de Estudo / Conceituais
São desenhos simples e rápidos, porém com grande impacto visual, apesar de nem sempre serem muito inteligíveis. É necessário bastante conversa e sinergia entre o profissional e o ilustrador;


Perspectivas para Apresentações Formais
São as perspectivas propriamente ditas, realizadas com base em projetos completos ou parciais para apresentação final ao cliente.

A partir deste ponto devemos separar as ilustrações de arquitetura em três vertentes: as artísticas, as eletrônicas (ou renderizações) e as mistas. Com exceção dos croquis conceituais (embora pode-se fazer renderizações com esse caráter), todas as ilustrações de arquitetura podem ser tratadas com ou sem o uso de programas gráficos. Quando falamos em “artísticas”, subentende-se que parte ou todo o trabalho foi elaborado com técnicas de desenhos à mão-livre - as renderizações eletrônicas também podem ser consideradas um trabalho de arte.

Para quem e porquê

As ilustrações de arquitetura, artísticas ou não, são feitas direta ou indiretamente para diversos profissionais e empresas :

- Arquitetos, decoradores e paisagistas: como falei anteriormente, estes profissionais utilizam as ilustrações para incrementarem suas apresentações e entregas e, assim, venderem melhor seus conceitos e projetos;

- Construtoras e Incorporadoras: aqui, as ilustrações são usadas no material publicitário de lançamentos de empreendimentos imobiliários para atrair e encantar os possíveis compradores de unidades. A diferença entre as ilustrações artísticas e eletrônicas, para esse mercado, certamente renderão um artigo à parte;

- Agências de propaganda / Imobiliárias: estes profissionais podem ser os clientes diretos dos ilustradores, ou podem direcionar o incorporador a contratar este ou aquele trabalho, dependendo do foco de consumidores que se deseja atingir.

Nos próximos artigos procuraremos desenvolver ou nos aprofundar sobre os diversos aspectos e questões ligadas a este tema, como a metodologia empregada, as técnicas, os materiais, as formas de apresentação, o uso do computador e programas gráficos, sempre procurando exemplificar com imagens e histórico de trabalhos. Também gostaríamos de receber sugestões para outros temas além de opiniões de outros ilustradores, profissionais, estudantes e professores sobre essa fundamental e poderosa ferramenta de comunicação: o desenho!

Um abraço e até lá.