17 Junho 2006

2. Metodologia – Processo de Execução de Perspectivas Artísticas

Para dar prosseguimento a esta coluna sobre perspectivas artísticas, considero interessante exemplificar como é o processo de trabalho de um ilustrador de arquitetura (ou perspectivista, como queiram), desde a captação das informações com o cliente até a entrega do trabalho. Essa parte será dividida em alguns tópicos a serem apresentados nas próximas semanas: a coleta de informações, a modelagem em 3D, a escolha do ângulo, a pré-montagem, a arte-final, os últimos ajustes e a entrega.

Coleta de informações
(1)
Quando se trata de um novo cliente - pensando inicialmente em um escritório de arquitetura ou decoração - essa fase deve ser a mais eficaz possível. Normalmente, nesta etapa, ainda não há grande interação entre cliente e ilustrador, então é muito importante que o projeto esteja numa fase razoavelmente adiantada (significa que deve haver pelo menos uma planta baixa, um corte e as elevações necessárias) e que haja um prazo razoável para fazer o trabalho. Esse prazo razoável é importante para que o ilustrador tenha tempo de tirar quaisquer dúvidas e até mandar uma prévia da imagem para possíveis correções, antes da entrega final. Também é bom que o cliente defina claramente junto com o ilustrador a técnica a ser utilizada, observando atentamente o portifólio do mesmo. Isso pode tornar o trabalho um pouco “duro”, o que é normal no começo, pois o ilustrador não se sente muito confiante para “criar em cima” do desenho, mesmo com as prévias.

(2)
Portanto, é necessário um contato pessoal para facilitar a comunicação e a interpretação do projeto por parte do ilustrador. Para um primeiro trabalho com um novo cliente eu procuro evitar os croquis conceituais, pois demandam muita cumplicidade, como já foi dito no último artigo.

Para clientes habituais, toda essa fase pode ser feita facilmente por telefone e email, pois o cliente já sabe o que o ilustrador vai precisar - inclusive, às vezes acaba direcionando seu trabalho e sua apresentação exatamente para este fim. Este cliente faz um contato prévio com o ilustrador para agendar o trabalho e já fica sabendo qual será o prazo para a execução da perspectiva (e se bate com o dele) e quando deve começar a mandar o material.

(3)
Citando um exemplo comum: a perspectiva de um living. Inicialmente, o cliente deve enviar uma planta baixa, com o layout pré-estabelecido e as elevações (1) de alguma peça importante a ser construída (uma estante, um painel ou detalhe de forro) para que possa ser iniciada a fase da modelagem. Para uma perspectiva de interiores, como no caso do living, o cliente precisará enviar também as fotos dos móveis e objetos escolhidos ou mantidos, além de fotos do local, o que é sempre muito útil. Estas referências podem ser enviadas aos poucos, porque podemos usar blocos (arquivos padrões) quaisquer do Autocad para adiantar o trabalho em 3D. O ângulo pode ser escolhido, inclusive, já nesta fase (2), pois também direciona o que o arquiteto ou decorador deve procurar, dar atenção ou deixar de lado, pois tal detalhe aparecerá ou não na imagem final. (3)

Logicamente, o processo ideal seria o cliente, principalmente o novo, montar um “pacote” com todas as informações necessárias para a execução ininterrupta do trabalho. Mas como todos estão acostumados, as entregas (de todo mundo) são sempre “pra ontem”, então temos que encontrar soluções para que esse serviço possa ser viabilizado.

(4)
Cabe, obviamente, ao ilustrador se adaptar também a forma como o arquiteto produz e se organiza. Pela experiência, em duas ou três perspectivas, esse processo tende a ser equalizado. Com o tempo, inclusive, o arquiteto ou decorador acaba utilizando esse serviço como parte do seu processo criativo, pois resolve muitas questões, observando as modelagens e as prévias das imagens ou, até mesmo, trocando idéias com o ilustrador.

Resumindo:
Para fazer uma perspectiva, o arquiteto ou decorador vai precisar ter pelo menos uma semana de prazo (essa é boa...); planta-baixa do ambiente ou dos principais pavimentos; um corte mostrando as alturas principais da construção (o pé-direito); as elevações daquilo que deseja mostrar na perspectiva, seja a fachada da casa ou desenho de um móvel de marcenaria; fotos do local, de móveis e objetos e se possível um croqui para complementar o projeto. Se, para o arquiteto, o prazo não permite ou não vale a pena investir tanto no desenvolvimento de um estudo preliminar (por exemplo, numa concorrência), então deve confiar em seu ilustrador para que ele faça uma imagem forte e eficiente. Mas, quanto menos precisas forem as informações passadas, mais “nas mãos” (literalmente) dele vai ficar. Nestas situações é que geralmente são realizados os trabalhos mais expressivos, mas que nem sempre são os mais eficientes, como forma de comunicação simplificada para o leigo (4).

Na próxima etapa falaremos como é feita a modelagem em 3D para a realização das perspectivas e como esse processo facilita e enriquece os resultados dos trabalhos.

Novamente me coloco à disposição para dúvidas e sugestões.
Até a próxima.