3. A modelagem 3D em Autocad
Continuando a explorar a metodologia do meu trabalho, chegou o momento de falar sobre o uso do computador na montagem das perspectivas artísticas. Esse tópico foi dividido em dois artigos: neste primeiro, explicarei como e quando passei a utilizar as modelagens eletrônicas e no próximo, qual é a sua importância no meu trabalho atualmente.
[1]
Já em 1994, Paul Steveson Oles, um dos fundadores da então American Society of Architectural Perspectivists, fazia um ensaio sobre o que chamou de “touch versus tech” publicado no livro The Art of Architectural Illustration, especulando sobre como o uso do computador afetaria o trabalho dos ilustradores. Nesta época, já se viam no exterior renderizações eletrônicas [1] (e mesmo animações virtuais), deixando os tradicionalistas com receio de que os guaches, aquarelas, marcadores e lápis se tornassem obsoletos e dispensáveis. Dizia-se que os modelos gerados em computador podiam ser mais confiáveis que as perspectivas feitas à mão, pois não tinham a “impressão do artista”, e que, portanto, os aproximava das maquetes físicas quanto à sua credibilidade. Apesar disso, Paul Stevenson já descrevia o uso de modelos eletrônicos para servirem apenas de “wire-frame”, ou base, para renderizações feitas à mão.
[2]
Entrei na faculdade em 1993, mas adiei o uso de Autocad até onde foi possível, pois gostava muito de desenhar à mão livre e, para falar a verdade, não sabia nem ligar um computador. As primeiras perspectivas surgiram em alguns “bicos” com arquitetos e decoradores (Simone Borgas [2] e Fernando Piva, por exemplo) e no meu primeiro estágio com a arquiteta Maria Inês Guiraldeli Fiasch. Neste escritório passei quase dois anos fazendo desenhos à grafite (que sorte!) e montei algumas “perspectivinhas” à mão (lá havia alguns desenhos do Neco que me serviam de inspiração, além dos desenhos à traços do Frank Lloyd Wright, que já me encantavam).
[03]
No começo, eu fazia as perspectivas apenas observando as plantas e fachadas e rascunhava a altura do observador, o ponto de fuga e a linha do horizonte até achar uma posição boa. Usava o bom senso e me preocupava com as proporções das paredes: a perspectiva de uma parede tinha que ter a exata proporção da mesma, na fachada ou elevação. Através de referências, como distâncias entre portas e janelas, eu preenchia o desenho com pequenos retângulos e quadrados imaginários. O equilíbrio entre as partes tinha que ser o mesmo na perspectiva e na fachada [3].
[4]
Muitas vezes as paredes pareciam “esticadas” demais e era hora de apagar tudo e começar de novo. Eu também utilizava outras técnicas simples, como colocar uma aresta em escala e puxar as alturas apartir dali ou usar diagonais para achar o centro dos espaços. No início, fiz muitas perspectivas com só um ponto de fuga, pois eram mais fáceis - nesse caso podemos ter a parede do fundo em escala -, apesar desse tipo de perspectiva ser um pouco dura [4]. Eu até aprendi na faculdade aquele método tradicional – perspectiva cônica, ou exata -, mas nunca o usei na prática. No “olho” era mais rápido. Ou mais legal.
Desenhar curvas, móveis e pisos complexos era o desafio. Imaginem fazer em perspectiva, à mão, um piso em forma de “escama de peixe” (na verdade acho que eu não fazia - fingia que não era comigo ou falava para o arquiteto: “Hum...esse piso não vai ficar legal...”).
Com o tempo o Autocad, que já estava me perseguindo, resolveu unir-se a mim (ou eu a ele?) e então passei a colocar as plantas em perspectiva, ainda sem “subir as alturas”. Isso começou a facilitar o processo, pois eu já tinha as profundidades prontas e já conseguia achar os ângulos de vista. Aprendi fuçando e com a ajuda de amigos por telefone - como diriam, “na orelhada” (literalmente). Depois, subir as linhas foi o próximo passo. Achar ângulos inusitados e brincar com a distorção da câmera era o máximo – um ponto de fuga só era coisa do passado.
[5]
Mal sabia usar o comando “extrude”, quando comecei a procurar ajuda de colegas, que já dominavam o Autocad3D, para então aprimorar as montagens e tentar reduzir meu envolvimento nessa parte, sobrando assim mais tempo para me dedicar à arte-final. Logo, os blocos (arquivos prontos) de móveis e carros, sempre difíceis de desenhar à mão, foram ficando cada vez melhores e mesmo formas arquitetônicas complexas, como rampas em espiral, fachadas neoclássicas repletas de molduras e telhados de “mil” águas, passaram a serem facilmente desenhadas no papel. Coitados daqueles que modelaram essas “pedradas”: Michel Valente, Marcio Guirado, Fernanda Campos e Marcelo Salvagni, entre outros [5].
Até lá.
[1]

Já em 1994, Paul Steveson Oles, um dos fundadores da então American Society of Architectural Perspectivists, fazia um ensaio sobre o que chamou de “touch versus tech” publicado no livro The Art of Architectural Illustration, especulando sobre como o uso do computador afetaria o trabalho dos ilustradores. Nesta época, já se viam no exterior renderizações eletrônicas [1] (e mesmo animações virtuais), deixando os tradicionalistas com receio de que os guaches, aquarelas, marcadores e lápis se tornassem obsoletos e dispensáveis. Dizia-se que os modelos gerados em computador podiam ser mais confiáveis que as perspectivas feitas à mão, pois não tinham a “impressão do artista”, e que, portanto, os aproximava das maquetes físicas quanto à sua credibilidade. Apesar disso, Paul Stevenson já descrevia o uso de modelos eletrônicos para servirem apenas de “wire-frame”, ou base, para renderizações feitas à mão.
[2]

Entrei na faculdade em 1993, mas adiei o uso de Autocad até onde foi possível, pois gostava muito de desenhar à mão livre e, para falar a verdade, não sabia nem ligar um computador. As primeiras perspectivas surgiram em alguns “bicos” com arquitetos e decoradores (Simone Borgas [2] e Fernando Piva, por exemplo) e no meu primeiro estágio com a arquiteta Maria Inês Guiraldeli Fiasch. Neste escritório passei quase dois anos fazendo desenhos à grafite (que sorte!) e montei algumas “perspectivinhas” à mão (lá havia alguns desenhos do Neco que me serviam de inspiração, além dos desenhos à traços do Frank Lloyd Wright, que já me encantavam).
[03]

No começo, eu fazia as perspectivas apenas observando as plantas e fachadas e rascunhava a altura do observador, o ponto de fuga e a linha do horizonte até achar uma posição boa. Usava o bom senso e me preocupava com as proporções das paredes: a perspectiva de uma parede tinha que ter a exata proporção da mesma, na fachada ou elevação. Através de referências, como distâncias entre portas e janelas, eu preenchia o desenho com pequenos retângulos e quadrados imaginários. O equilíbrio entre as partes tinha que ser o mesmo na perspectiva e na fachada [3].
[4]

Muitas vezes as paredes pareciam “esticadas” demais e era hora de apagar tudo e começar de novo. Eu também utilizava outras técnicas simples, como colocar uma aresta em escala e puxar as alturas apartir dali ou usar diagonais para achar o centro dos espaços. No início, fiz muitas perspectivas com só um ponto de fuga, pois eram mais fáceis - nesse caso podemos ter a parede do fundo em escala -, apesar desse tipo de perspectiva ser um pouco dura [4]. Eu até aprendi na faculdade aquele método tradicional – perspectiva cônica, ou exata -, mas nunca o usei na prática. No “olho” era mais rápido. Ou mais legal.
Desenhar curvas, móveis e pisos complexos era o desafio. Imaginem fazer em perspectiva, à mão, um piso em forma de “escama de peixe” (na verdade acho que eu não fazia - fingia que não era comigo ou falava para o arquiteto: “Hum...esse piso não vai ficar legal...”).
Com o tempo o Autocad, que já estava me perseguindo, resolveu unir-se a mim (ou eu a ele?) e então passei a colocar as plantas em perspectiva, ainda sem “subir as alturas”. Isso começou a facilitar o processo, pois eu já tinha as profundidades prontas e já conseguia achar os ângulos de vista. Aprendi fuçando e com a ajuda de amigos por telefone - como diriam, “na orelhada” (literalmente). Depois, subir as linhas foi o próximo passo. Achar ângulos inusitados e brincar com a distorção da câmera era o máximo – um ponto de fuga só era coisa do passado.
[5]

Mal sabia usar o comando “extrude”, quando comecei a procurar ajuda de colegas, que já dominavam o Autocad3D, para então aprimorar as montagens e tentar reduzir meu envolvimento nessa parte, sobrando assim mais tempo para me dedicar à arte-final. Logo, os blocos (arquivos prontos) de móveis e carros, sempre difíceis de desenhar à mão, foram ficando cada vez melhores e mesmo formas arquitetônicas complexas, como rampas em espiral, fachadas neoclássicas repletas de molduras e telhados de “mil” águas, passaram a serem facilmente desenhadas no papel. Coitados daqueles que modelaram essas “pedradas”: Michel Valente, Marcio Guirado, Fernanda Campos e Marcelo Salvagni, entre outros [5].
Até lá.


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